O perigo da heresia doutrinal
Reunião de Aconselhamento Ministerial (RAM)
Publicada em 29 de outubro de 2023
Cara Irmandade,
A paz de Deus.
O termo heresia diz respeito à doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé.
Aconselhamos à irmandade quanto aos cuidados que devemos ter com relação às manifestações que propagam conhecimentos e interpretações contrárias aos fundamentos da fé, que é a condição necessária para a salvação das almas, por cuja razão se faz necessária a presente instrução.
Essa heresia, além de desviar a fé para a salvação que há em Jesus Cristo leva a pessoa a descrer na manifestação clara dos dons de Deus pelo Espírito Santo, afirmando que tais dons existiram apenas nos dias dos apóstolos, não mais havendo suas manifestações, esquecendo-se que no dia de Pentecostes quando houve o derramamento do Espírito Santo, tratava-se do cumprimento da profecia,
“E há de ser que depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. ” (Joel 2:28 e 29)
Também disse Pedro:
“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. ” (Atos 2:39)
E, também, disse Jesus:
“E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome, expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”. (Mar. 16:17 e 18)
De fato, os que buscam agregar outros fundamentos à fé, buscam uma forma de servir a Deus de maneira mais leve, entendendo que uma vez salvo, sempre serão salvos. Nisso consiste o principal desvio doutrinal, pois dessa forma inutilizam o sacrifício do Senhor Jesus que, através do seu anjo, ditou ao apóstolo João, numa das cartas,
“Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida”. (Apoc. 2:10)
Essas heresias são desvios doutrinais que a mídia apresenta em vários aspectos num momento em que as pessoas sentem desejo de conhecer e estudar mais e mais a Bíblia Sagrada na esperança de alcançar maior e melhor condição em agradar a Deus, valendo-se de conhecimentos e estudos bíblicos que os hereges oferecem, na intenção de arrebanhar os incautos, os quais podem naufragar na fé.
O que ocorre com aqueles que, no desejo de adquirir maior conhecimento teológico quanto à salvação buscam, através do conhecimento e interpretações heréticas, entendendo que a salvação das almas dos predestinados é incondicional, tendo como base interpretações, que surgiram no início do protestantismo na Europa, onde os reformadores apresentaram suas teses, interpretando as Sagradas Escrituras, conforme seus sentimentos.
Essas interpretações geravam correntes de pensamentos, que demonstravam entendimentos que não contribuíam em nada para a salvação, além de deturparem a fé daqueles que ouviam, pois tudo quanto diz respeito à salvação está escrito na Bíblia Sagrada, através da qual, pelo Espírito Santo se alcança o conhecimento para a salvação, razão pela qual nós aceitamo-la em todo o seu teor, condição necessária para a evolução da fé e salvação em Jesus Cristo.
Um dos pontos controversos existentes entre alguns diz respeito ao livre arbítrio, que é a livre escolha, o qual não significa que a pessoa está livre de ser arbitrada (julgada), pois é Deus quem julgará e fará a escolha no fim, segundo o viver de cada um. No sentido em que arrazoamos, livre escolha (arbítrio) é liberdade de julgar, decidir, eleger ou escolher segundo o entendimento daquele que o possui, aquilo que a ele compete e seja possível, porém, a salvação pertence somente a Deus, haja vista o que diz Paulo:
"...conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade." (Ef. 1:11)
Assim, fazer todas as coisas segundo Sua vontade ou querer, é atributo exclusivo de Deus. Ora, como o homem foi feito por Deus conforme Sua imagem e semelhança também participou de Sua natureza, a qual é divina e, isso até sua queda, tanto que não conhecia a morte. Após a sua queda, trouxe consigo também a condição de escolha em suas atitudes, a livre escolha em tudo o que lhe é possível, pois o homem não tem poder de escolher ou decidir sobre tudo o que é de sua vontade, apenas onde é de seu alcance.
Veja o que disse o Senhor Deus a Caim quando sua oferta não foi aceita e descaiu o seu semblante:
“Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti?" (Gen. 4:7)
Daí entende-se que o homem pode julgar e ou escolher o que deve obrar, isto é, o bem ou o mal. Esse foi o resultado do pecado de Adão, ao comer do fruto proibido, que passou a conhecer o bem e o mal. Vejamos o que disse Paulo na carta aos Romanos,
“...Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; A saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que obra o mal; primeiramente do judeu e também ao grego; Glória, porém, e honra e paz a qualquer que obra o bem...” (Rom. 2:5 a 10)
Se o homem estivesse previamente destinado à vida eterna e ou ao castigo eterno, qual seria o motivo do sacrifício salvífico do Filho de Deus? Se o destino à volta para Deus fosse de maneira incondicional, isto é, sem, contudo, aceitar ou não ser salvo, a vinda do Senhor Jesus na condição de ser humano teria sido vã, pois veio em um corpo de carne para mostrar ao homem que se for fiel na fé, vencerá o mundo, o tentador e o inferno, que é a morte. Entendemos que a salvação é proposta a todos os homens e que estes podem, ou não, aceitar serem salvos. Vejamos o que disse o Senhor Jesus aos discípulos,
“...ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mar. 16:15 e 16)
Tal afirmação do próprio Senhor Jesus pode ser corroborada no Seu intento de salvação do homem quando o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo,
“... agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1Tim. 2:4)
E quando diz,
“…. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou: e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” (Rom. 8:29 e 30)
Indicou que de fato os predestinados serão chamados, contudo nem todos serão glorificados, pois a glorificação depende da consagração, santificação e a justificação.
Fases da salvação – A primeira fase da salvação é a predestinação; a segunda é o chamamento, a terceira é a justificação e a última a glorificação.
Dever do ser humano predestinado – Compete ao predestinado crer no Senhor Jesus pela fé e atender ao chamamento, buscar a justificação pela Palavra para finalmente ser glorificado.
Vemos que o chamamento é decreto de Deus, isto é, conforme a Sua vontade, porém o crer é atributo daquele que é chamado e, nem todos os chamados creem, pois possuem a liberdade de decidir se aceitam, ou não, a fé que lhes é proposta.
Como a graça de Deus, cuja graça é Seu Filho Jesus Cristo, se há manifestada a todos indistintamente, e mesmo sendo manifesta a todos, nem todos são agraciados,
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creêm em seu nome” (João 1:11 e 12)
Estes são os nascidos da água e do Espírito e ainda que chamados, finalmente dependerão da escolha dita pelo Senhor,
“ Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos ” (Mat. 22:14)
A salvação é proposta aos homens nas condições implícitas do Evangelho, sempre condicionadas à firmeza na fé. Sabemos que a obediência é condição de escolha. Se o homem não trouxesse consigo a possibilidade de livre escolha quanto à sua salvação ou não, quanto às regras, mandamentos e a própria graça, estes teriam sido desnecessários e o sacrifício do Senhor Jesus, ineficaz.
Oportunidade de escolha – Seguem algumas referências que encontramos na Escritura Sagrada, quanto à oportunidade de escolha, como podemos ver,
“ Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua semente.” (Deut. 30:19)
“Escolhi o caminho da verdade: propus-me seguir os teus juízos" (Sal. 119:30)
“E, respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas. Mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Luc. 10:41 e 42)
Conclusão – A salvação é concessão de Deus que chama o homem para si, mas, uma vez chamado por Ele, cabe, agora, escolher se quer ser salvo ou não.
Vossos irmãos em Cristo,
Conselho da Presidência dos Anciães Mais Antigos do Brasil